CAPITULO II-c

ESTUDO DA NOTAÇÃO GREGORIANA

(conclusão)

Conforme se disse, a notação Gregoriana que vemos nas edições modernas reproduz a escrita gótica dos manuscritos diastemáticos dos séc.s XIV e XV.

          Se bem que o tema que aqui vamos abordar – muito por alto – não esteja, de modo algum, nem de cerca, nem de longe, no âmbito de um Curso elementar – como faço questão de salientar – creio que seria interessante, a título de mera curiosidade, fazer uma referência, muito por alto, aos estudos levados a cabo, recentemente, por paleógrafos e gregorianistas, no que concerne à

C.– SEMIOLOGIA GREGORIANA

O canto Gregoriano, na Idade Média, era indicado por «neumas» – termo que, em Grego, significa «sinal». Segundo se depreende – não do dito termo Grego, mas sim da sua forma de escrita específica – os neumas remontam [?] à «quironomia» – cujo tema abordaremos nos Cap.s III-b e VI e à própria «quironomia Solesmiana» teriam dado lugar [?]. Como se sabe, o conhecimento das melodias, por escrito, é difícil – senão mesmo impraticável – na tradição oral, por motivos óbvios. Então, formaram-se várias «Escolas» de escrita, em diferentes épocas e lugares, datando os manuscritos mais antigos dos séc.s VIII/IX e os mais recentes do séc. XIV (St. Gall).

Eis, sob diferentes tipos de notação (das principais «Escolas»), o

QUADRO SINOPTICO DOS

NEUMAS PRINCIPAIS

                                  St. Gall        Metz       N.França   Benevento  Aquitânia   Quadrada

e também o de outros neumas (bastante frequentes), em notação quadrada e de St. Gall:

OUTROS NEUMAS, EM
NOTAÇÃO QUADRADA E DE ST. GALL

          A notação diastemática torna visíveis os intervalos melódicos: os neumas situam-se, quer no agudo – «acutus» – quer no grave – «gravis» –. Do sistema de linhas, o que se impôs foi o de Guido de Arezzo (+ 1050): colocação das linhas por 3.ªs e coloração das linhas sob as quais se situa um «meio-tom»: «DO», em azul (ou amarelo) e «FA» em encarnado (isto, além das claves de «DO» e de «FA»).

          A notação quadrada é a notação Gregoriano-Romana actual, que se desenvolveu a partir dos neumas do Norte de França e da Aquitânia (séc. XII).

          A notação neumática pressupunha, por parte dos cantores, a aprendizagem e o conhecimento perfeito das melodias – com os seus intervalos exactos – a partir da tradição oral.

          Quanto à rítmica, não se pode deduzi-la a partir da notação, porquanto não estava expressa nos manuscritos: no entanto, do estudo que fizemos – quer dos neumas, quer do ritmo – sabemos que a nota anterior ao «quilisma» é alargada, assim como a nota episemada, quer do «salicus», quer do «neuma assimilado ao salicus».


Ismael Hdez.